domingo, 29 de setembro de 2013

O Eldorado do Século XXI


O Eldorado do Século XXI

É importante garantir uma presença significativa da África no mundo hodierno. O desafio da inovação não pode ser enfrentado sem grandes investimentos intelectuais. Será uma casualidade o facto de o Banco Mundial considerar um luxo o ensino superior em África? Os africanos que não se enganem: enquanto os seus governantes reprimem os jovens e os condenam a encontrar expedientes para sobreviverem no dia-a-dia, as grandes multinacionais afadigam-se em encontrar a maneira mais fácil de deitar a mão ao ouro, aos diamantes, ao cobre, ao alumínio e ao petróleo do continente. Sabem que a África é, agora mais que nunca, o eldorado do século XXI. As televisões não o dizem. 

Mantêm distraída a opinião pública ocidental com a sida, a fome, as guerras étnicas, as secas e a corrupção, Mas os senhores do norte movem-se, irresistivelmente, atraídos pelo eldorado africano. A globalização impõe esta mobilidade estrutural, que é uma dimensão da ordem neoliberal, ao mesmo tempo que a opinião ocidental se apresta a controlar a mobilidade do sul e a rechaçar os inavsores. Por outro lado, se o futuro da humanidade pertence às "Sociedades e culturas mestiças", a África não tem nada a mendigar aos outros povos. Da memória da sua cultura poderá, talves, tirar algo para oferecer a um mundo em que o mercado todo poderoso subjaga sociedades inteiras com a ditadura do imediato e do instantâneo. É este o espectáculo de vazio que o novo capitalismo nos oferece. Se aspirar a renascer, a África não pode deixar-se seduzir por esta civilização incapaz de satisfazer as aspirações do ser humano. Numa altura em que o o centro de gravidade do mundo se desloca do Norte para o Sul, particularmente para a África, devido ao seu crescimento demográfico e ao seu potencial econômico, perfila-se nas suas enormes dimensões o principal desafio: reconsiderar a relação entre o social e o econômico, entre o mercado e a cultura. 

Este é um campo de investigação privilegiado para os intelectuais africanos, que têm de mobilizar as suas inteligências se quiserem evitar que os seus povos tenham de sentar-se segundo a estupenda expressão de Ki-Zerbo - "na esteira alheia". No centro da confontração entre a África e a globalização encontramos a pretenção de o Ocidente querer impor as suas crenças como se elas fossem universais. Para escapar ao vazio, que se tornou insupostável mesmo para o Ocidente, precisamos de redescobrir a África, continente que encerra uma imensa reserva de sentimentos e de recursos: é este o capital que é preciso valorizar para que finalmente germine a esperança no coração dos "condenados da terra" e raiem novas alvoradas em África. Pesem embora todas as aparências, a África não está fechada. Nasceu uma tradição inventiva. Fracassado o sonho de emprego por toda vida, que por tanto tempo seduziu as gerações da independência, os jovens e as mulheres inventam novas actividades. São estas invenções dos "pequenos" que alimentam a esperança. A África renasce para lá dos esterótipos gastos. Com obstinação. 
- Postado por: Reiller,Tiago e Hudson-CONFEPI
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